O mercado financeiro está repleto de alternativas para empresas que precisam de financiamento. Uma das opções mais vantajosas, é o crédito com garantia e securitização de recebíveis.
A necessidade de obter recursos adicionais para impulsionar suas operações de crédito, investir em novos projetos, ou enfrentar situações emergenciais.
Apenas a título de curiosidade, o ano de 2024 encerrou com 6,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, percentual que representa 31,6% das companhias existentes no país. Este número indica um aumento de 300 mil empresas na comparação com o mesmo período de 2023, segundo um levantamento realizado pelo Serasa Experian.
O setor de serviços foi o mais afetado, com 55,3% das empresas negativadas, seguido pelo comércio, com 35,4%, e pela indústria, com 8%.
Além disso, as micro e pequenas empresas representaram a maior parte dos inadimplentes, correspondendo a 6,5 milhões de negócios nessa situação.
Para sanar esse problema crescente da falta de capital, essas empresas podem recorrer ao crédito com garantia e securitização de recebíveis.
Mas, como essas modalidades funcionam, e por que elas podem ser uma ótima estratégia para as empresas? Essas e outras perguntas nós respondemos neste artigo. Te convidamos a seguir a leitura conosco e acompanhar até o fim!
Primeiramente, antes de entendermos as vantagens que essa operação oferece, é importante que você conheça melhor o que é o crédito com garantia.
De modo geral, o crédito com garantia é um tipo de empréstimo no qual o tomador oferece um ativo ou bem valioso como garantia de pagamento. Essa garantia pode ser um imóvel, veículo, estoque ou, até mesmo, recebíveis futuros oriundos de operações envolvendo o cartão de crédito ou o crediário próprio, por exemplo.
Neste caso, quando a empresa dá algum tipo de garantia à instituição financeira que está concedendo o crédito, reduz o risco de ocorrer inadimplência.
Como a instituição credora tem menor risco de crédito, ela consegue conceder condições mais favoráveis, como menos taxas de juros, maiores prazos e, até mesmo, valores mais altos do que em outras linhas de crédito.
Assim, o crédito com garantia se mostra como uma opção relevante para PMEs que necessitam de um capital mais volumoso para investir no seu crescimento. Além disso, essa modalidade possibilita que essas empresas consigam ter taxas de juros mais atrativas, o que é importante para equilibrar o fluxo de caixa a longo prazo.
Agora que você entendeu melhor o que é o crédito com garantia, fica mais fácil de compreender como ele funciona na prática.
Nesta modalidade, a empresa deixa um ativo alienado à instituição financeira.
No caso dos recebíveis, significa que eles são "transferidos" ao credor da operação, porém, eles seguem sob posse do tomador de crédito.
Na prática, isso quer dizer que a empresa seguirá sendo dona dos recebíveis até quitar integralmente o empréstimo.
Se o financiamento foi quitado em dia, ao fim do contrato, os recebíveis deixam de estar alienados, e retornam para o nome da empresa proprietária. Contudo, caso ocorra inadimplência, o credor da operação poderá tomar os recebíveis.
Esse mecanismo de ceder um ativo como garantia de pagamento em um negócio, também é conhecido como alienação fiduciária.
Vale ressaltar, que diversos bens podem ser utilizados no crédito com garantia, como por exemplo imóveis, veículos e mercadorias, além dos recebíveis. Porém, é importante salientar, que além da avaliação da empresa e da análise de crédito, o ativo também é avaliado.
No caso dos recebíveis, quanto mais valiosos e de qualidade eles forem, maiores serão as chances da concessão de crédito ser aprovada.
Assim como ocorre em outras operações financeiras, existem diferentes tipos de crédito com garantia.
Neste caso, existem diferentes bens e ativos que podem ser utilizados como garantia de pagamento ao credor, como forma de reduzir o risco de crédito e proporcionar condições mais atrativas. Entre os principais tipos desta modalidade de crédito, podemos destacar:
Também conhecido como Home Equity, o imóvel, seja ele residencial ou comercial, é utilizado como garantia no empréstimo.
Isso significa, que o cliente (no caso, a empresa), continuará sendo dona do imóvel, contudo, o contrato de financiamento recebe uma indicação de que o bem foi utilizado como garantia na operação de crédito. Ou seja, caso a empresa não cumpra com seus compromissos, o imóvel, que pode ser uma casa, apartamento ou terreno, poderá ser tomado pelo credor.
Por conta disso, o crédito com garantia de imóvel é muito utilizado em concessões de crédito de alto valor financeiro.
Como o seu próprio nome sugere, nesta modalidade, o veículo, que pode ser um caminhão, moto ou carro da empresa, é utilizado como garantia na operação de crédito. Porém, para este tipo de operação, é necessário que o veículo esteja devidamente quitado e dentro de um limite de idade.
Nesta modalidade, os juros costumam ser menores do que o crédito pessoal, porém, são maiores que no Home Equity.
No crédito com garantia de investimentos, o tomador utiliza aplicações financeiras, como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Câmbio Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), ações, entre outros investimentos, como garantia na operação.
Assim, a instituição financeira ficará responsável por avaliar o risco desses ativos, e com base nessa avaliação, definir o valor do crédito que poderá ser concedido.
É relativamente comum algumas instituições permitirem que o tomador solicite empréstimos com valores que variam entre 50% e 100% do valor investido. Isso significa, que quanto maiores forem os riscos de volatilidade do investimento, menor será o percentual do crédito concedido.
Apesar disso, essa modalidade permite taxas atrativas, pois os investimentos servem como colateral. Além disso, os investimentos podem continuar aplicados enquanto se acessa a liquidez.
Por fim, outro tipo muito comum é justamente o crédito com garantia de recebíveis.
Neste caso, as empresas podem utilizar diferentes recebíveis, como notas fiscais, contratos e estoques como garantia em um empréstimo. Justamente por conta disso, ele é muito comum em operações que envolvem antecipação de recebíveis e securitização de créditos.
É o caso de operações que envolvem factoring, Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ou Securitizadora.
Um exemplo da utilização dessa modalidade de crédito ocorre no varejo. Caso o varejista tenha um fluxo relevante de recebíveis de cartão private label, ele pode utilizar este fluxo como garantia para conseguir uma linha de crédito, que posteriormente, poderá ser utilizada para sanar despesas ou investir em novos projetos.
O crédito com garantia é uma das opções mais vantajosas para empresas que buscam soluções financeiras otimizadas.
Isso ocorre, pois essa modalidade proporciona alguns benefícios importantes, principalmente se comparadas a outros tipos de crédito. Abaixo, listamos algumas das principais vantagens. Confira:
Sem dúvidas, um dos grandes diferenciais que essa modalidade oferece, são as taxas de juros mais baixas do que outros modelos, como empréstimos pessoais.
O menor risco para o credor, devido à garantia colocada, é justamente o motivo para isso.. Assim, ele também ajuda a empresa a ter uma maior economia a longo prazo.
Com garantias sólidas, os bancos e instituições financeiras costumam oferecer melhores condições às empresas, como prazos mais longos para pagamento.
Essa flexibilidade é importante para a empresa "não dar um passo maior do que a própria perna", e conseguir incorporar as parcelas no seu orçamento mensal.
Além disso, o crédito com garantia também possibilita que a empresa consiga acessar valores mais altos do que em um crédito convencional.
Afinal, como mencionamos anteriormente, o montante total dependerá do valor e da qualidade do ativo que foi colocado como garantia. Ou seja, se os recebíveis tiverem um bom potencial, a empresa pode acessar valores significativos para financiar os seus projetos.
Agora que você entendeu melhor as particularidades que envolvem o crédito com garantia, é importante que conheça o que é securitização.
Em suma, ela é um processo que converte créditos em títulos negociáveis no mercado de capitais, possibilitando que um ou mais investidores comprem as dívidas existentes. Ou seja, se a empresa não quiser esperar até o limite do prazo para receber os seus valores devidos, ela pode utilizar a securitização para antecipar esses recebíveis.
A operação de securitização é intermediada pela Securitizadora ou FIDC, que são especializados nessa estruturação. É ela quem irá receber os valores dos clientes e repassá-los à empresa, que por sua vez, vai receber à vista esse crédito. Assim, por meio da securitização, qualquer empresa pode acessar de forma rápida o dinheiro desejado, aplicando descontos aos investidores que comprarem esses títulos negociáveis.
Embora o processo de securitização possa parecer um pouco complicado de se entender, ele é mais simples do que parece.
Essa operação é dividida em 4 etapas. A seguir, detalharemos melhor como cada um deles funciona:
A operação começa quando a empresa faz a identificação dos ativos que geram fluxos regulares de caixa, e que têm potencial para serem securitizados.
Esses ativos podem ser hipotecas, empréstimos ou demais recebíveis oriundos das operações de crédito.
Posteriormente, é necessário criar um veículo de securitização, entidade encarregada por manter esses ativos.
Esse veículo de securitização pode ser tanto um FIDC, quanto uma Securitizadora, que ajudam a isolar os ativos e demais riscos que podem afetar o balanço das empresas.
Na sequência, o veículo de securitização irá realizar a emissão dos títulos negociáveis no mercado de capitais.
A renda obtida com a securitização é destinada para pagar a empresa originária, que receberá esses valores como crédito à vista.
Como última etapa da operação, o veículo de securitização fica responsável em fazer o pagamento para os investidores, de acordo com os fluxos de caixa dos ativos.
Os pagamentos podem ser fracionados em diferentes faixas de risco e retorno, a fim de atrair investidores com diferentes perfis.
Ademais, caso o investidor queira, ele também pode comprar os títulos e receber uma taxa de juros superior ao Tesouro Direto. Essa é uma forma de compensar o risco que foi assumido na operação.
Além disso, é importante salientar, que a securitização é um serviço regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio da Lei nº 14.430/2020.
Agora que você também está melhor familiarizado com a operação de securitização, fica mais fácil de compreender como ela se relaciona ao crédito com garantia.
Basicamente, isso ocorre quando as empresas que concedem crédito ao seu ecossistema, transformam empréstimos garantidos em ativos negociáveis no mercado.
Neste caso, um banco que concede o serviço de crédito imobiliário pode optar por securitizar esses financiamentos e fazer a emissão de um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) aos seus investidores.
Além disso, uma empresa que financia as compras dos seus clientes, também pode converter os seus recebíveis em cotas de um FIDC, para captar recursos no mercado
Essa combinação entre o crédito com garantia e a securitização ajuda a melhorar a liquidez das empresas e amplia as oportunidades de investimento.
Conforme você observou anteriormente, securitizar crédito com garantia envolve converter diversos ativos, como empréstimos imobiliários, veículos ou recebíveis comerciais em títulos negociáveis no mercado de capitais.
Abaixo, listamos um passo a passo para ilustrar como sua empresa pode realizar essa operação. Confira:
A securitização tem início na concessão do crédito, que pode ser imobiliário, com alienação fiduciária, recebíveis empresariais ou debêntures garantidas.
Posteriormente, a sua empresa fará a venda dos créditos para um veículo de securitização, que pode ser um FIDC ou Securitizadora.
Por sua vez, essa instituição irá avaliar a qualidade dos créditos, levando em consideração fatores como rating e risco de inadimplência.
Além disso, o veículo de securitização também ficará responsável por definir a estrutura do lastro, identificando os bens ou recebíveis que garantem os pagamentos.
Na sequência, os créditos garantidos são transferidos ao FIDC ou Securitizadora, que fará a emissão dos títulos com base nesses recebíveis.
Então, esses títulos de crédito são negociados aos investidores, e o dinheiro levantado é repassado para a empresa originária, que vendeu os créditos.
O mercado de capitais pode distribuir os títulos de crédito de diferentes maneiras, como cotas de FIDC ou títulos lastreados.
Outra opção, são as debêntures securitizadas, utilizadas pelas empresas para captação de recursos.
Por fim, as instituições utilizam os pagamentos dos tomadores de crédito originais para remunerar os investidores que compraram os títulos no mercado de capitais.
As instituições podem dividir esses pagamentos em diferentes faixas de risco e retorno, conforme o perfil dos investidores que compraram esses títulos.
A securitização do crédito com garantia proporciona diversas vantagens para as empresas que utilizam essa operação.
A seguir, listamos 4 principais benefícios que essa estratégia oferece. Veja:
As empresas conseguem gerar liquidez, graças à possibilidade de transformar bens ou ativos líquidos em dinheiro. Além disso, é importante relembrar que as vendas desses títulos podem ocorrer a diferentes investidores do mercado de capitais.
Assim, ao antecipar seus recebíveis, as empresas conseguem ampliar e melhorar o seu fluxo de caixa.
A securitização do crédito com garantia também é uma alternativa para empresas captarem recursos com menor custo.
Afinal, como mencionamos anteriormente, essa operação oferece taxas mais acessíveis do que o financiamento tradicional, por meio de um banco. Isso ocorre, pois os títulos podem ser estruturados para atrair investidores institucionais.
Assim, mesmo que, eventualmente, a empresa receba o valor abaixo do total de vida, a antecipação dos recebíveis permite que ocorra rendimento e um ganho de mercado.
No início deste artigo, nós mencionamos uma pesquisa realizada pelo Serasa Experian, que indicou que o ano de 2024 encerrou com 6,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil.
Esse problema pode ser contornado com a securitização do crédito com garantia, pois, a transferência dos direitos creditórios a um veículo de securitização, ajuda a mitigar os riscos de inadimplência.
Desse modo, a gestão de risco é fundamental para equilibrar o fluxo de caixa da empresa, impedindo que ela sofra com as oscilações do mercado.
Por fim, securitizar o crédito com garantia também auxilia as empresas a expandirem suas operações.
Afinal, ao aumentar a sua liquidez, e reduzir a dependência do crédito bancário, a empresa consegue investir no seu crescimento, adquirindo novos ativos ou equipamentos.
Para que a securitização do crédito com garantia ocorra de forma transparente e segura, a escolha de parceiros ideais é fundamental, por uma série de motivos.
Quando os parceiros são experientes, e tem conhecimento do mercado e dos processos, fica mais fácil reduzir os riscos de inadimplência e assegurar que a securitização atenda aos requisitos regulatórios do mercado de capitais.
Afinal, as empresas especializadas ajudam a garantir que a operação esteja em conformidade com as regras da CVM e demais órgãos reguladores.
Com isso, é possível reduzir custos operacionais e tributários, maximizando a rentabilidade da operação, tanto para a empresa originária quanto para os investidores.
Além disso, o apoio de fintechs de crédito especializadas também é importante na constituição do FIDC ou Securitizadora, pois essas empresas oferecem a tecnologia necessária para a estruturação de uma operação de crédito eficiente e rentável.
Por fim, ao concluir a leitura deste artigo, você conseguiu entender melhor o que é e como funciona o crédito com garantia e securitização.
Essa estratégia financeira ajuda as empresas a potencializarem seu fluxo de caixa utilizando capital próprio. Isso é muito útil para organizações que buscam expandir de forma saudável, sem prejudicar a sua estabilidade financeira.
Além disso, a securitização de bens e ativos possibilita que as empresas inovem e ganhem maior competitividade no mercado, o que é importante para empresas que desejam antecipar seus recebíveis sem contrair dívidas.
Para isso, a escolha dos parceiros certos na securitização do crédito com garantia faz toda a diferença para que a operação ocorra de forma segura e tenha sucesso.